Oxigênio

Ontem eu escutei essa música e me lembrei, na verdade fui transportada, para uma época em que as coisas eram mais simples. Na verdade, as preocupações eram mais simples. O que me importava era ter inspiração. Queria conhecer coisas novas, ver filmes diferentes, ouvir músicas variadas, ir a lugares novos, revisitar locais que eu amava, andar pela zona cultural/artística/intelectual da cidade. Ouvir e participar de conversas sobre cultura, sem me olharem torto por me acharem arrogante. E isso me alimentava. Fazia me sentir mais rica- culturalmente e intelectualmente que, pra mim, é a riqueza realmente importante. Isso me satisfazia, me nutria. Eu preciso de cultura de qualidade pra sobreviver e era isso que eu tinha, toda semana, todo dia. Eu estava nos locais onde tudo acontecia, locais que transpiravam cultura e eu absorvia tudo. E ficava inspirada. Era uma época em que eu tinha esperança. Que eu ainda acreditava que ia trabalhar naquilo que amava. Que eu me emocionava ao ver um trailer de um filme bom porque achava que um dia podia ser o meu filme, que eu escrevi, ali na tela. Uma época que eu achava que, fazendo o que se ama, eu ia conseguir sobreviver. E que nem importava se ia ganhar bem ou não. Só a felicidade de realizar um sonho me sustentaria. Era uma época em que eu não pensava que tinha que ganhar dinheiro pra poder pagar aluguel ou comprar uma casa. Uma época em que eu não pensava SÓ nisso, em como me sustentar sozinha, em como ganhar dinheiro. Em que eu me permitia fazer o que gosto e amo por puro prazer, e não por ter que fazer. Ou uma época em que eu fazia as coisas que eu amo, que eu ia nos lugares que amo, porque hoje em dia… Era uma época em que eu não colocava salário acima dos meus sonhos, das coisas que amo fazer. E era uma época em que eu me sentia mais verdadeira pelo simples fato de que essas coisas todas são eu. Eu sou os lugares que amo ir. Sou as coisas que amo fazer. Eu amo ver um filme francês, chinês, espanhol, argentino, mexicano, brasileiro que não seja comercial. Amo passar a tarde em um
café só por estar lá. Amo ficar em contato com a natureza. Amo saber estar ajudando alguém. Amo ir a um lugar só pra sentir a cultura à minha volta, mesmo que esse lugar seja uma livraria e eu vá lá só pra ficar olhando, sem objetivo, mas por estar entre tantos livros e cds e dvds maravilhosos, de pessoas que transformaram o mundo com suas obras. Porque não há nada mais importante no mundo pra mim que isso, cultura. E, como eu disse, eu preciso, PRECISO, de cultura pra sobreviver. E pra me inspirar. E, quem sabe, me fazer acreditar e sonhar novamente.

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